6. GERAL 14.8.13

1. GENTE
2. CRIME - PARECIA TO PERFEITO
3. ESPECIAL  MAIS FORTE, MAIS RPIDO, MAIS SAUDVEL. E EM MENOS TEMPO
4. IMPRENSA  A AVENTURA DE BEZOS NO PAPEL
5. ARTIGO  MARIO SABINO  DAS RUAS S URNAS, DAS URNAS S RUAS
6. ESTILO  NAS ROUPAS, TODOS SO FENMENOS
7. CINCIAS  HAMBRGUER DE PROVETA
8. ANIMAIS  LULU POP STAR

1. GENTE
JULIANA LINHARES. Com Alvaro Leme e Thas Botelho


D VONTADE DE BATER? ENTO, EST CERTA
Para viles e vils de novela, bom mesmo  ser odiado. Portanto, VANESSA GICOMO, a prfida (mas com bom motivo, a ser revelado) Aline de Amor  Vida, no pode reclamar. "Num restaurante, uma moa me disse que queria botar veneno no meu prato", conta a intrprete da secretria sexy que enlouquece o patro babo. Aos 30 anos, nove deles na Globo, onde protagonizou Cabocla, Vanessa est em sua primeira novela das 9. "Sempre fui a mocinha. Estou amando ser a falsa boazinha em quem d vontade de bater." Para bem rechear os macrodecotes e as nanossaias, chegou a fazer trs aulas de noventa minutos de bal por semana, mas, no, at hoje ningum lhe pediu a calcinha, como fez o amante vivido por Antonio Fagundes. "Decepciono os homens. Eles esperam um mulhero e tenho s 1,60 metro."

PROCRIAR, CASAR E DEPOIS REINAR?
Filhos fora do casamento so quase um fato da vida amorosa da pequena mas animada famlia principesca de Mnaco. O prncipe Albert tem os seus, embora no se qualifiquem para suced-lo. A irm dele, Stephanie, tambm andou nesse campo. Agora, no fim de agosto, receber o selo de legitimidade o pequeno Sacha, filho de ANDREA CASIRAGHI, 29, o primognito da princesa Caroline, com TATIANA SANTO DOMINGO, 29, filha de um falecido milionrio colombiano com uma socialite paulista. No fim do ano, quem se casa  a irm de Andrea, CHARLOTTE, 27, com o ator francs, nascido numa famlia judaica do Marrocos. GAD ELMALEH, 42. Amazona premiada, ela deu um tempo nos saltos porque espera o prprio herdeirozinho.

ALTA INFIDELIDADE
Teste de Fidelidade  o quadro de um programa de televiso que mostra um homem casado sendo seduzido por uma atriz bonitona passando-se por mulher comem.  Todo mundo pressente que  armao, mas o quadro tem seu pblico.  E, agora, encrencas.  Uma das participantes, PRISCILA VILELA, ps na internet um vdeo dizendo que no foi paga porque se recusou a fazer o teste  do sof  com o diretor da atrao. No sou ficha rosa, as assistentes de palco que topam fazer o programa, disparou. Dias depois, circulou uma lista com nomes de vrias assistentes e o cach que elas supostamente levam por fora. Estava l o de Cris Lopes, que tambm fez o Teste de Fidelidade. Mentira. No tenho dinheiro nem para ter um carro, diz.

QUARENTONAS DE BIQUNI
Elas ultrapassaram a barreira dos 40 anos com um corpo muito parecido com o que tinham aos 20.  verdade que todas foram modelos, mas  verdade tambm que as trs abusaram de vrios tipos de diverso, legais e ilegais.  Da gravidez da filha, Giulia, em 2011, CARLA BRUNI, a mulher do ex-presidente francs Nicolas Sarkozy, s carrega a alegria da maternidade no corao. NOAMI CAMPBELL tambm no parece abalada pelo fim do longo namoro com um bilionrio russo, mesmo que este esteja passeando de iate em Ibiza com Leonardo DiCaprio e um banho de franguinhas. PAMELA ANDERSON reatou o casamento com o produtor de filmes Rick Salomon, notrio anos atrs por ter parecido em um vdeo ntimo com a namorda da poca, Paris Hilton. Paris anda esquecida; j Pamela mantm viva a chama de Baywatch.
Nome: CARLA BRUNI
Idade: 45 anos
Como mantm o corpo: corre, fuma e bebe

Nome: NAOMI CAMPBELL
Idade: 43 anos
Como mantm o corpo: ioga, malhao e cigarro

Nome: PAMELA ANDERSON
Idade 46 anos
Como mantm o corpo:  vegetariana e malhadora


2. CRIME - PARECIA TO PERFEITO
A polcia afirma que um adolescente de 13 anos executou quatro familiares, incluindo os pais PMs, antes de se matar, em So Paulo. Essa verso foi apresentada em menos de 24 horas, para evitar uma onda de extermnios.
LEONARDO COUTINHO

     Os brasileiros esto familiarizados com sries americanas de TV como CSI, que, apesar de ficcionais, so fidedignas ao mostrar uma cultura policial em que a anlise objetiva dos fatos, amparada por instrumentos de medicina forense de ltima gerao, tem a primazia na elucidao de crimes. A realidade no Brasil  bastante diferente. Nossas polcias cientficas so mal equipadas e tm poucos funcionrios. Alm disso, quando os peritos chegam para a coleta de evidncias, a cena do crime em geral j foi alterada. Isso ajuda a explicar por que em apenas 8% dos casos de assassinato no Brasil se chega ao autor. A taxa de sucesso nos Estados Unidos  de 65%. Na falta de uma abordagem mais cientfica,  comum que os investigadores brasileiros tirem concluses apressadas e divulguem os nomes dos suspeitos antes de esgotarem todas as possibilidades. Para poucos crimes recentes, porm, foi apresentada uma soluo to clere quanto na execuo de Lus Marcelo Pesseghini, um sargento da Rota, a tropa de elite da Polcia Militar de So Paulo, de sua mulher, Andreia, tambm PM, e da me e da tia dela, Benedita e Bernadete. 
     Para a diviso de homicdios da Polcia Civil de So Paulo, no h dvida de que a chacina na casa da famlia no bairro de Brasilndia foi cometida pelo filho do casal, Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, de 13 anos, que horas depois se suicidou com um tiro na cabea. Os cinco corpos foram encontrados por volta das 18 horas da segunda-feira passada por um PM, vizinho e amigo da famlia, que fora verificar por que Andreia faltara ao trabalho. Essa verso dos acontecimentos foi apresentada  imprensa menos de 24 horas depois, na tarde de tera-feira, pelo delegado Itagiba Franco, chefe da investigao  muito antes de serem ouvidas todas as testemunhas e de sair o laudo tcnico dos peritos, o que s vai ocorrer no prazo de um ms. Por que a pressa? Um dos investigadores responsveis pelo caso explicou a VEJA que o objetivo era desfazer a tese, que comeou a ser noticiada j na segunda-feira, de que o casal de PMs havia sido chacinado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Temia-se que colegas do sargento Pesseghini e outros policiais militares sassem matando bandidos do PCC, o que levaria o grupo a revidar, provocando um caos na cidade como o que houve em 2006, com um saldo de 152 mortos.
      A pressa em divulgar uma verso definitiva para o caso involuntariamente desviou as atenes para os pontos ainda mal explicados da histria. O fato de um comandante da PM, o coronel Wagner Dimas, ter dito na quarta-feira que Andreia, sua subordinada, havia ajudado a denunciar colegas de farda, apenas para desmentir-se no dia seguinte, tambm no ajudou. Verses alternativas, como a de que o casal teria sido vtima de queima de arquivo, comearam a ganhar fora, inclusive dentro da PM. A relutncia em acreditar que o menino cometeu um ato to horripilante contra a prpria famlia  vista como "perfeita" pelos mais prximos  justifica-se tambm pelos detalhes assombrosos do crime e pelo perfil do filho do casal. Segundo a polcia, Marcelinho, como era chamado, matou o pai entre as 23 horas de domingo 4 e a primeira hora da madrugada de segunda-feira. O disparo feito com a pistola calibre 40 de sua me penetrou o crnio do policial entre a nuca e a orelha esquerda, enquanto ele dormia de bruos em um colcho na sala. A segunda a morrer foi Andreia, com um disparo certeiro na nuca. A av e a tia av foram mortas enquanto dormiam na casa ao lado, no mesmo terreno, ambas alvejadas no rosto. Todos os disparos foram feitos a curta distncia. Marcelo precisou de apenas quatro balas para matar os quatro familiares. Depois de executar a famlia, ele tirou o Corsa seda da me da garagem e dirigiu at a rua de sua escola, em um bairro vizinho na Zona Norte de So Paulo. Imagens das cmeras de segurana de um edifcio mostram o veculo sendo estacionado  1h15. s 6h23, Marcelo aparece descendo a rua com a mo no bolso do casaco. Segundo professores e alunos, ele agiu normalmente durante todo o perodo de aula. Marcelo foi para casa de carona com o pai de um colega e, l chegando, se suicidou com um tiro na cabea. 
     Descrito por todos que o conheciam como um adolescente meigo, amoroso, de comportamento irrepreensvel e devoto aos pais, Marcelo sofria de fibrose cstica, uma doena degenerativa que causa obstruo crnica das vias respiratrias, diagnosticada no seu primeiro ano de vida. Em nota, a escola informou  que sua me acreditava que ele viveria s at os 18 anos. Cresceu cercado de cuidados extremos. Seus pais no deixavam que sasse sozinho, e restava-lhe jogar futebol com a av na garagem. Ainda assim, o PM que encontrou os corpos diz que o pai o ensinou a atirar e a me, a dirigir. Imagine se um pai e uma me que no deixavam o menino brincar na rua por medo iriam deix-lo manobrar um carro", contesta Rosemary Pereira da Silva, uma das vizinhas mais prximas da famlia Pesseghini. Os 5 quilmetros que separam a casa da escola tem avenidas, ladeiras ngremes e cruzamentos que exigiriam a habilidade de um motorista experimentado. "Apesar dos detalhes assombrosos, tudo leva a crer que o menino foi o autor do crime, mas  temerrio afirm-lo sem esperar os laudos periciais", diz uma perita do Instituto de Criminalstica de So Paulo. Como agravante, dezenas de pessoas  entre PMs, polticos e moradores  circularam pela cena da chacina antes da chegada da polcia cientfica, o que pode danificar provas. No existe crime de soluo fcil se o respeito  percia  deixado de lado. 
COM REPORTAGEM DE TMARA FISCH


3. ESPECIAL  MAIS FORTE, MAIS RPIDO, MAIS SAUDVEL. E EM MENOS TEMPO
Aumentar a massa muscular com exerccios intensos e de curta durao, simbolizados pelo peso em forma de sino ou chaleira, est revolucionando o modo de fazer ginstica em termos de eficincia de resultados para a sade e a esttica corporal.
MARILIA LEONI E THAI BOTELHO

POR QUE O SINO DOBRA
Os exerccios feitos com o kettlebell, ou sino, so especialmente eficientes no processo de ganho muscular
 O msculo cresce de acordo com a quantidade e a fora das contraes demandadas pelos movimentos. Os exerccios aumentam o deslizamento dos dois filamentos que compem a fibra muscular, a actina e a miosina
 A actina permanece compactada no corpo graas a protenas presas a ela. Fisiculturistas tm altas concentraes de uma dessas protenas, a alfa-actinina 3
 Alm dos filamentos que se contraem para criar movimento, h o sarcoplasma, que os envolve e contm glicognio, responsvel por prover o msculo de energia. O crescimento muscular  maior em cada uma dessas estruturas, dependendo do exerccio
 Exerccios com o kettlebell com carga moderada e mais repeties atuam sobre o volume do sarcoplasma, o que promove a definio e o aumento da massa muscular. A carga quase mxima, com menos repeties, incrementa a fora.


     Numa imagem convencional, o corpo humano  comparado a um edifcio mvel. Nele, os ossos so as vigas e os msculos uma espcie de concreto flexvel que permite fazer movimentos e carregar pesos. Joguem essa comparao fora. A importncia dos msculos sobre o metabolismo, o equilbrio entre diversas funes corporais, e os prprios ossos  to maior e mais complexa que estudiosos da fisiologia esto revirando o conceito de exerccios fsicos. Reforar a musculatura ocupa o foco central de um novo caminho para manter ou recuperar indicadores de sade, o dos exerccios bem intensos, mas de durao muito menor que a dos movimentos tradicionais. Doze minutos, sete minutos, dois minutos, o cardpio do HIIT, sigla em ingls para o que em portugus se chama treinamento intervalado de alta intensidade, desperta interesse imediato da maioria semissedentria que entende a importncia de se exercitar, mas tem pouco tempo, pacincia ou flego. Na rea dos exerccios com equipamentos, o kettlebell, a verso modernizada do antigo sino de ferro dos boxeadores,  o smbolo das mudanas de foco nas formas de cultivar um corpo saudvel  e mais bem desenhado. Pesquisas precursoras, feitas em 2008 e aperfeioadas em novos estudos, mostram que esse tipo de treinamento queima gordura, melhora a sensibilidade  insulina, aumenta a massa muscular, diminui as taxas de colesterol e d nimo a quem o pratica. A eficincia decorre do fato de que ele atua sobre todos os tipos de fibras musculares, o que  especialmente benfico para o sistema cardiovascular. 
     As recomendaes tradicionais feitas em praticamente todos os consultrios mdicos so variaes do protocolo da Organizao Mundial da Sade: 150 minutos semanais de exerccios aerbicos moderados (a tal meia hora em ritmo levemente puxado, cinco vezes por semana) ou 75 minutos (25 minutos, trs vezes por semana) se a atividade for intensa. Os novos estudos, porm, comeam a redirecionar o que mdicos e especialistas em esporte recomendam. "Caram por terra nossas tradicionais orientaes dos 45 minutos de caminhada diria. J est provado que o treinamento intenso e intervalado traz os mesmos resultados que os outros, que demandam muito mais tempo", diz Isa Bragana, da Sociedade Brasileira de Cardiologia. "Tenho um paciente de 85 anos, que treina corrida utilizando princpios do HIIT, como tiros de alguns minutos e descanso curto entre eles, que est com a sade tima." Outros cardiologistas alertam para o fato de que pacientes com taquicardia correm risco se fizerem esses treinos. 
     A eficcia dos exerccios puxados, de pouca durao e intervalados com breves instantes de descanso,  baseada em princpios j conhecidos. O esforo intenso atua poderosamente sobre vrios grupos musculares. O que acontece entre as arrancadas  igualmente importante. "Saltar de uma atividade muito intensa para outra moderada e depois retomar a intensidade  um tipo de esforo extremo para o corpo. Nessa situao, h uma descarga de catecolaminas, hormnios do stress, que enviam para o organismo a mensagem de que ele est em perigo e, por isso, tem de atacar suas ltimas reservas de energia, no caso, a gordura abdominal", explica Luiz Riani, mdico pesquisador de fisiologia do esporte da USP. Qualquer atividade fsica queima carboidratos. Poucas, no entanto, chegam ao estgio de queima dessa gordura. Nos exerccios intensos intervalados, esse estgio sempre  alcanado. "Ela  a reserva de energia mais primitiva do homem, a mais difcil de ser usada. Por isso existem tantas pessoas que malham e no perdem a barriguinha", completa Riani. 
     Dois especialistas em treinamento fsico do Human Performance Institute, na Flrida, elaboraram no ano passado um programa de exerccios com dois benefcios aparentemente impossveis: tomar pouco tempo e provocar no corpo os mesmos efeitos de um treino de longa durao e maior frequncia. Brett Klika e Chris Jordan criaram assim o que entusiastas esto chamando de revoluo dos sete minutos, um circuito de doze exerccios relativamente simples, como abdominais, flexes e agachamentos, que devem ser feitos durante trinta segundos na  maior quantidade possvel. Entre cada um deles, um intervalo de apenas dez segundos. O exerccio inteiro leva, na verdade, sete minutos e cinquenta segundos. O nico "equipamento" necessrio  uma cadeira. "O circuito  uma mistura de treino aerbico com musculao. O organismo fica to desgastado que continua queimando calorias muitas horas depois do trmino do treino", descreve Jordan. A publicitria paulistana Viviane Arajo, 34, pratica esse treino h trs meses. "Perdi 2 quilos de gordura e ganhei 2 de massa magra. Repito a sequncia trs vezes, e no fico mais do que quarenta minutos na academia", diz. A professora de spinning Paloma de Carvalho pratica e ensina h quatro anos outro tipo de exerccio do gnero, considerado ainda mais puxado: o de dois minutos de pedaladas puxadssimas na bicicleta ergomtrica, divididos em trinta segundos, intercalados por quatro minutos e meio mais moderados. "Alunos de spinning fazem normalmente 75 giros por minuto. Depois de trs meses praticando o intervalado, os giros chegam a 105. Os alunos ainda deixam de se queixar de dores nas pernas e dizem se sentir mais motivados a fazer esse treino do que um convencional." 
     O precursor do conceito de exerccios intensos e intervalos que sacodem todas as estruturas musculares foi Timothy Ferriss, o popularizador do kettlebell, ou sino. Hoje o principal guru dos exerccios fsicos nos Estados Unidos, ele ficou conhecido por submeter o prprio corpo a experincias extremas com o objetivo de melhorar o desempenho fsico.  dele a ideia de reduzir drasticamente a frequncia dos exerccios  medida que os msculos ganham fora e tamanho. A base de tudo  o movimento em balano pendular com o sino, segurado com as duas mos. "No kettlebell o centro de gravidade do peso muda durante o movimento. Para estabilizar o sino e tambm o corpo, muitos grupos musculares so trabalhados ao mesmo tempo", analisa o personal trainer Cludio Novelli, um especialista da modalidade. "Em vez de levantar pesos por meia hora e fazer a esteira por mais outra meia. voc pode fazer tudo com esses sinos em vinte minutos", diz Novelli. O treino extenuante tambm faz a hipfise liberar o hormnio do crescimento, o GH. "Diante de um esforo desgastante, com perda de acares, o corpo entende que seus tecidos, especialmente os musculares, precisam ser reparados. Acontece, assim, uma descarga de GH", explica o endocrinologista Josivan Lima, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. "Sinto que os msculos dos glteos e os da parte posterior da coxa esto mais durinhos. Meus abdominais esto at mais definidos. Foi uma tima descoberta", diz Vanessa Ramos, 29, mestranda em educao fsica e praticante do kettlebell. At, ou principalmente, para quem j passou da fase de endurecer os glteos os exerccios que atuam sobre a musculatura so considerados cada vez mais importantes. "As pessoas falam para os velhinhos no carregarem peso, mas o que recomendamos  justamente o contrrio", diz Andr Pedrinelli, chefe da medicina esportiva do Hospital das Clnicas, em So Paulo. Mais msculo em menos tempo  um conceito para todos. 

POUCOS E TIMOS
Como so os treinos intensos, mas de pouca durao, que j foram submetidos a estudos e como se comparam aos mtodos tradicionais.

BICICLETA ERGONOMTRICA
4 sries (3 vezes por semana)
2 minutos (a durao total do treino  de 20 minutos)
30 segundos  velocidade mxima
4 minutos e meio  ritmo moderado
RESULTADOS: os principais benefcios esto relacionados ao controle de hipertenso e de doenas vasculares, porque o exerccio propicia a elasticidade das artrias. A presso alta  consequncia do trabalho extra de bombeamento do sangue pelo corao em decorrncia da rigidez arterial. Ocorre tambm um aumento de vasos sanguneos nos msculos, beneficiando a oxigenao
COMPARAO: a pesquisa avaliou 16 homens sedentrios de 21 anos. Uma parte do grupo fez o exerccio intenso trs vezes por semana. A outra pedalou entre quarenta e sessenta minutos, cinco vezes por semana, sem picos de esforo. Os dois grupos tiveram resultados similares em matria de aumento de vasos nos msculos, de flexibilizao das artrias e diminuio de gordura corporal. A diferena  que o primeiro grupo gastou muito menos tempo para atingir o mesmo resultado.

BICICLETA ERGOMTRICA 3 sries (3 vezes por semana)
3 minutos (a durao total do treino  de 10 minutos)
3 minutos  intensidade moderada
20 segundos  velocidade mxima
RESULTADOS: melhora em at 24% a sensibilidade  insulina, fator importante na manuteno dos nveis estveis de acar do sangue, durante duas semanas. Por isso, o mtodo ajuda a controlar o diabetes tipo 2 e, claro, o peso. O estudo mostrou tambm que sedentrios de diversas faixas etrias gostaram mais do exerccio intenso do que do aerbico tradicional, de caminhada ou bicicleta.
COMPARAO; trabalha 80% dos msculos do corpo. Corrida e bicicleta em ritmo moderado usam 40%. Os pesquisadores envolvidos no estudo tambm ressaltam que este treino economiza de 70% a 90% do tempo de quem atingiria os mesmos resultados com caminhadas de uma hora.

SEQUNCIA DE DOZE EXERCCIOS
De 1 a 3 sries (3 vezes por semana)
7 minutos
30 segundos cada um
Velocidade mxima
10 segundos de descanso entre eles
Polichinelo
Movimento de sentar-se encostado na parede
Flexo de braos
Abdominal
Subir e descer da cadeira
Agachamento
Trceps
Prancha
Corrida no lugar
Avano
Flexo e rotao
Prancha lateral

RESULTADOS: o principal  a perda de gordura. Quando o corpo faz esforo, a energia  gerada pelo consumo de carboidratos e h liberao de alguns hormnios. Com a desacelerao, intercalada com novo esforo, esses hormnios "reguiam" o corpo para atacar as gorduras. O mtodo tambm induz o corpo a entrar em estado de dficit calrico por at 72 horas depois de terminados os exerccios. Para reconstituir tecidos e estoque de glicognio, o corpo precisa de calorias criadas com a queima de mais carboidratos e gorduras.
COMPARAO: como exige o trabalho de todos os grandes grupos musculares e um esforo intenso, este treino equivale simultaneamente a um de musculao de pelo menos trinta minutos e a outro de corrida com a mesma durao. 

BICICLETA ERGOMTRICA
De 1 a 3 sries (1 vez por semana)
(modalidade moderada, porque foi adaptada para pessoas que no conseguem fazer as sries muito intensas e curtas)
10 minutos
1 minuto a 90% da frequncia cardaca mxima (FCM) (a frmula mais tradicional para calcular a FCM  subtrair sua idade de 220. Para algum de 30anos, a FCM  de 190 batimentos por minuto (220  30 = 190). H uma margem de erro de 10 a 15 batimentos.)
1 minuto  velocidade baixa
RESULTADOS: h melhora notvel no funcionamento dos vasos sanguneos e, consequentemente, do corao de pessoas com doenas cardiovasculares. Ocorre reduo na concentrao de acar no sangue, registrada aps as refeies, o que se mantm por at 24 horas depois do exerccio. Como o esforo  breve, os responsveis pelo estudo no o consideram prejudicial a quem tem esse tipo de patologia.
COMPARAO: verificam-se mudanas nas clulas musculares equivalentes s produzidas por exerccios regulares de noventa minutos na bicicleta, em velocidade moderada. 

BREVE HISTRIA DO CORPO
Exerccios que se propagaram a partir do sculo XX e seus principais inspiradores.
CHARLES ATLAS - Nascido Angelo Siciliano, foi o precursor do fisiculturismo, com um mtodo desenvolvido em 1929 e muito disseminado por meio de anncios, de visual hoje nostlgico, na dcada de 40.
FORA AREA CANADENSE - Criado na dcada de 50 para pilotos canadenses, o programa consistia numa srie de cinco exerccios (para homens), incluindo tocar os ps com os dedos das mos, abdominais e flexes de braos.
KENNETH COOPER - Popularizou o conceito de aerbica, basicamente a corrida orientada para melhorar o sistema cardiovascular, com um livro lanado em 1968 cuja influncia se estende at hoje.
JANE FONDA - A atriz lanou, a partir de 1982, a srie de vdeos que consagrou a verso original de "ginstica de academia", com exerccios localizados. Hoje ela est com 75 anos e em notvel forma.
ARNOLD SCHWARZENEGGER - Excepcional fisiculturista, o austraco virou, a partir da dcada de 80, um disseminador dos msculos enormes, prottipo do heri cinematogrfico tosco e governador algo medocre da Califrnia.
IOGA - As prticas para disciplinar corpo e mente remontam  origem da religio hindusta, mas tiveram vrias reencarnaes recentes no mundo ocidental, em especial na virada do milnio.
PILATES - Lanada em 1926, a tcnica de fortalecimento muscular e correo postural desenvolvida pelo enfermeiro alemo Joseph Pilates foi redescoberta na ltima dcada em virtude dos seus resultados estticos.

CORRER AT SE MATAR, S VEZES LITERALMENTE
A humanidade conhece h quase 2500 anos os perigos do oposto dos exerccios intercalados de breve durao, os esforos prolongados como as trs, quatro ou cinco horas exigidas pela prova esportiva mais clssica, a maratona. As imagens de corredores despencando na linha de chegada so um retrato externo dos efeitos deletrios internos provocados pelos 42 extenuantes quilmetros de percurso. Uma das consequncias de maior risco  a depresso do sistema imunolgico. No  raro que maratonistas fiquem gripados ou peguem infeces dias depois da prova. "Eles ficam vulnerveis a vrias viroses. Uma delas, mais grave, inflama o msculo cardaco e pode deixar fibroses nele", descreve Nabil Ghorayeb, diretor cientfico da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que estuda maratonistas h cinco anos. Tem mais: "O sangue de maratonistas, colhido horas ou dias depois da prova, apresenta alto nvel de LDL, o colesterol ruim". Sem contar efeitos menos graves, como contuses, desidratao, leso dos mamilos por atrito, inflamao das unhas dos ps e tores. Os casos de morte sbita durante a prova so relativamente poucos e associados a doena coronariana. Uma pesquisa publicada no ano passado no New England Journal of Medicine detectou 59 ataques cardacos, dos quais 42 fatais, em 11 milhes de pessoas que correram meias maratonas ou a prova inteira. "No recomendo que se faa mais de uma maratona por semestre. Esse  o tempo de que o organismo precisa para se recuperar", diz o ortopedista Jos Marques Neto, acostumado a tratar maratonistas. Entre os no profissionais, a euforia e a sensao de superao costumam compensar o esforo e o desgaste fsico.  mais ou menos como se cada um dissesse a si mesmo: "Regozije-se, voc venceu". Uma verso individual da frase que Feidpedes disse aos atenienses depois que os gregos derrotaram os persas na Batalha de Maratona, no ano 490 antes de Cristo. Segundo o historiador Herdoto, ele correu os 40 quilmetros entre o campo de batalha e a cidade, anunciou a vitria e caiu morto.


4. IMPRENSA  A AVENTURA DE BEZOS NO PAPEL
O empresrio que ergueu um imprio nos meios digitais, com a loja Amazon e o leitor Kindle, compra o Washington Post, um dos jornais americanos de maior 
prestgio.
CAROLINA MELO E FERNANDA ALLEGRETTI

     O americano Jeff Bezos ganhou fama como um dos revolucionrios da era da internet. Ele  dono da Amazon, o maior site de comrcio eletrnico da web. Com valor de mercado de 135 bilhes de dlares, a Amazon  uma das cinquenta empresas mais valiosas do mundo. O prprio Bezos, com uma fortuna pessoal de 25,2 bilhes de dlares,  um dos vinte cidados mais ricos do planeta. Ele tem entre suas proezas popularizar os livros eletrnicos, os e-books, ao comercializar com enorme sucesso o leitor eletrnico Kindle. Justamente por Bezos ter construdo seu imprio nos meios digitais, causou espanto na semana passada a notcia de que ele acaba de comprar o jornal The Washington Post, um venerando representante dos tempos em que os jornais impressos em papel eram a nica forma de ler notcias. A compra do Post, por 250 milhes de dlares,  ainda mais surpreendente porque o jornal, embora tenha um passado de glrias  publicou a srie de reportagens sobre o escndalo Watergate, que levou  renncia o presidente Richard Nixon, em 1974 , se encontra numa situao financeira difcil. Sua circulao mdia diria passou de 706.000 exemplares, em 2005, para 472.000 em 2012. Sua receita caiu de 957 milhes de dlares, em 2005, para 582 milhes em 2012. Por que Jeff Bezos comprou uma publicao fora do escopo de seus negcios e o que pretende fazer com ela? Essa  a pergunta que no cala.
     Alguns analistas avaliam que, com sua habilidade para desbravar novos territrios, Bezos pode idealizar outra forma de apresentar notcias. Na carta que publicou no prprio Washington Post, Bezos no deu pistas sobre as mudanas que pretende imprimir ao jornal, mas adiantou que ser preciso "inventar e experimentar". Disse a VEJA Ken Doctor, analista de mdia e autor do livro Newsonomics: Doze Novas Tendncias que Moldaro as Notcias e o seu Impacto na Economia Mundial: "Jeff Bezos criou um padro de excelncia na relao do consumidor com a internet e, portanto, esse  o maior potencial da negociao. Ele pode criar algo como um Netflix (o maior servio mundial de transmisso de filmes e sries pela web) da notcia''. O estilo de Bezos como empresrio, segundo os analistas, tambm conta a favor de sua aquisio do Washington Post. Ele no busca retorno imediato com seus investimentos em novos negcios. Tem a pacincia de dar tempo ao tempo e de absorver prejuzos at que sua inovao se torne vitoriosa. Bezos tambm se dedica a projetos excntricos, que provavelmente jamais daro lucro. Uma de suas empresas, a Blue Origin, desenvolve projetos para baratear e tornar mais seguras as viagens espaciais. Por meio da Fundao Long Now, Bezos est construindo numa montanha do Texas, ao custo de 42 milhes de dlares, um relgio gigantesco que ele pretende que funcione pelos prximos 10.000 anos. 
     Embora em dificuldades financeiras, o Washington Post permanece como uma das publicaes mais influentes dos Estados Unidos, principalmente na capital do pas. Criado em 1877 com o intuito de apoiar o Partido Democrata, foi comprado em 1933 pelo banqueiro Eugene Meyer. O Washington Post viveu seus momentos mais clebres depois que Katharine Graham, filha de Meyer, assumiu o comando. Em 1971, junto com o New York Times, o Post foi responsvel por denunciar a histria secreta do governo americano durante a Guerra do Vietn, no episdio que ficou conhecido como os "papis do Pentgono". O funcionrio do Pentgono Daniel Ellsberg distribuiu 7000 pginas de documentos confidenciais que provavam que os presidentes John Kennedy, Lyndon Johnson e Richard Nixon, secretamente, intensificaram o conflito no Vietn enquanto diziam aos cidados americanos que no desejavam ampliar a guerra. O maior furo do jornal, com o caso Watergate, aconteceria um ano depois. A queda na circulao do Post acompanha uma tendncia mundial. Entre 2000 e 2011 foram fechados 100 jornais nos Estados Unidos. No mesmo perodo, a circulao diria de jornais no pas caiu de 56 milhes de exemplares para 44 milhes.  nesse mercado em queda que Jeff Bezos ter de demonstrar seu talento para o sucesso. 


5. ARTIGO  MARIO SABINO  DAS RUAS S URNAS, DAS URNAS S RUAS
     No balano parcial das manifestaes juvenis que varrem as ruas brasileiras, uma das boas baixas foi a mentira que prosperava no exterior, por causa da viso preguiosa dos correspondentes estrangeiros  a de que o pas estava s portas do Primeiro Mundo, no mais na condio de pedinte. Era com espanto que os (poucos) curiosos em relao ao Brasil recebiam, na Europa, a informao de que no era exata aquela histria do Cristo Redentor decolando como foguete, para ficar na capa famosa da revista inglesa The Economist. O Brasil avanara? Sem dvida. Mas menos pelas nossas qualidades do que pela conjuntura favorvel e pela inrcia natural que faz com que o amanh seja melhor do que ontem nas latitudes onde tudo j esteve pior do que nunca. 
     As manifestaes puseram culos nos jornalistas internacionais. Enxerga-se, agora, que o nosso crescimento no passa de transtorno dismrfico coletivo. Que o tamanho absoluto do PIB  produto de uma fico cambial. Que a escalada da "nova classe mdia" acontece de dez em dez prestaes. Que nosso nvel educacional s seria piada se fssemos capazes de entend-la. Que os miserveis ascenderam socialmente  mas  condio de pobres alimentados por programas de esmola com dinheiro pblico. Que as nossas cidades so de uma esqualidez vergonhosa. Que a frase do historiador latino Tcito nos cai  perfeio: em uma Repblica muito corrupta, numerosas so as leis. 
     Eles no queriam ver e ns custamos a crer. A perda de contato com a realidade paralisou as conscincias no Brasil, de maneira patolgica, mesmo se se descontar a perturbada psicologia nacional. Chegamos a esse ponto atravs da substituio da propaganda da poltica pela propaganda poltica. Por propaganda da poltica, entenda-se a divulgao de iderios que exigem a tomada de posies, os conflitos e a negociao no mbito institucional  compreendida como a busca de consensos que permitam  nao progredir na totalidade. Esse fundamento, nunca inteiramente assimilado pelos brasileiros, foi subvertido pela propaganda poltica, cuja essncia  o discurso que s prev a supresso do que lhe  contrrio. Os mais adestrados no recurso, est bvio, so os ditadores. No Brasil, a presena de um lder deletrio, embora no tenha sido suficiente para deletar as instituies, enfraqueceu-as tanto que hoje elas se acham quase sem peso especfico. O fenmeno ocorreu com o concurso do marketing personalista e a troca da negociao pela negociata. Os eventuais oponentes tambm se autoanularam, por motivos que apontam na direo do raquitismo das convices e da falta de responsabilidade, o que inclui desonestidade. A oposio s renasce fugazmente durante as campanhas eleitorais. 
     Quando escasseia a propaganda da poltica e sobra a propaganda poltica, o vcuo se instaura  um tipo de vcuo em que,  diferena do espacial, a combusto  possvel. Longe de ser coluso com a tentativa de ninjas, najas, jiboias e cascavis de instrumentaliz-las, constate-se que as manifestaes espocaram nesse contexto. Acusam-se os participantes de rejeitar a poltica. Aplicam-lhes o rtulo de "fascistas", como se houvesse uma agenda autoritria a dirigir a maioria. A verdade, no entanto,  que as suas demonstraes so fruto da refutao da poltica pelos prprios polticos. Como exigir de jovens crescidos na audincia de disputas por butins que faam o elogio da representao democrtica? As indignaes antipolticas no explodiram por excesso de poltica, mas por ausncia dela, ainda que isso soe paradoxal. 
     A juventude brasileira no sabe o que  poltica, e outra vez a culpa  dos polticos. Eles transpuseram todas as fronteiras da decncia. Agora, diante da exposio das nossas fragilidades, no conseguem simular dedicao a interesses que ultrapassem o comprimento das hlices dos seus helicpteros. Desconhecem que, at nos regimes absolutos, um governante tem de evitar o dio do povo  e o melhor modo de faz-lo  abster-se de apropriar-se da propriedade alheia. Surpreendidos pelas ondas de choque juvenis, correm para aprovar leis demaggicas, ignorando que no h legislao capaz de frear a corrupo se ela no  precedida pelos bons costumes. 
     Os polticos brasileiros desconhecem e ignoram, enfim, o que escreveu Niccol Machiavelli, no sculo XVI, muito antes do nascimento da democracia moderna, no rastro das frias populares do seu tempo e da Antiguidade do historiador Tcito. Em meio ao tumulto, ningum faz ideia de por onde comear a pr a casa em ordem. Mas comear logo  imperativo. Para que a decolagem do Brasil no d chabu, seja mais do que um truque grfico, e os correspondentes estrangeiros tirem os culos e voltem a relaxar, a propaganda poltica precisa dar lugar, com urgncia,  propaganda da poltica. Das ruas s urnas, das urnas s ruas. 


6. ESTILO  NAS ROUPAS, TODOS SO FENMENOS
Jogadores de futebol que gostam de se produzir inspiram seguidores.  difcil saber quem tem as roupas, as jias, a cabeleira e as sobrancelhas mais arrojadas.
THAS BOTELHO

     Abusados, tatuados, produzidos, perfumados e, quase unanimemente, depilados. Grandes jogadores de futebol na maioria das vezes tm ego maior ainda do que seus feitos esportivos, mas a ideia de que se interessassem por algo alm de tnis delirantemente coloridos, brilhantes ofuscantes nas orelhas e bolsas de produtos de higiene das marcas com iniciais muito conhecidas  mais recente. Como tantas coisas acessrias no futebol contemporneo, o jogador fashionista, expresso no passado capaz de intimidar o mais moderado dos corintianos, remonta a David Beckham.  claro que empresas do ramo de vesturio  quando no os profissionais empresrios dos prprios jogadores  foram rpidas em perceber o potencial do assunto. Isso explica, em parte, a espantosa imagem oferecida por Zlatan Ibrahimovic de top de alas com recorte nas costas, mostrando toda a arte corporal. Por baixo do decote, uma empresa de produtos esportivos propagandeava um sensor que registra batimentos cardacos, distncias e velocidade. As fotos de Ibra, um provocador nato atualmente jogando no Paris Saint-Germain, filho de pai bsnio muulmano e me croata catlica, autor de uma biografia que concorreu a um prmio literrio em seu pas, a Sucia, foram uma sensao mundial. Misso cumprida. 
     Ao lado de cantores de rap, funk e, no Brasil, pagodo, jogadores de futebol so exemplos amplamente imitados. O padro  o exagero engraado, mas at dentro dessa escola existem casos especiais como o de Daniel Alves, o baiano que joga no Barcelona. Seguidor do estilo modernete, ele usa terno vermelho, culos de grau sem grau e bermudas agarradas em lugar dos tradicionais bermudes. J declarou: "Sou feio mas estou na moda". Desde quando trabalhava numa roa de tomates junto com o pai, num povoado prximo  cidade de Juazeiro, gostava de "inventar onda", segundo as palavras da me. "Ele cortava as alas dos chinelos para que ficassem fininhas, misturava roupa rosa com laranja e fazia topete no cabelo. Queria ser diferente de todo mundo", relembra, com bom humor, a dona de casa Lcia Ribeiro. Entre os colegas do time catalo, os modeles de Daniel lhe valeram um apelido: estilista. 
     Com todos os seus arroubos estilsticos, Daniel parece um aprendiz diante do sempre fenomenalmente trajado Mrio Balotelli. O jogador italiano, atualmente no Milan, tem algo em comum com colegas brasileiros apreciadores do estilo funkeiro. Est sempre com casacos de pele (ou moletons abusados), brinces, correntes de ouro, uma namorada explosiva de um lado e uma comportada bolsinha Louis Vuitton do outro. Filho de pais procedentes de Gana, na frica, nasceu com um gravssimo problema de sade e foi adotado por um casal de italianos judeus. A educao amorosa e tradicional no atrapalhou em absolutamente nada o comportamento de jogador encrenqueiro. Quando jogava na Inglaterra e bateu um de seus brinquedinhos motorizados  Bentley, Maserati, Ferrari , um dos policiais chamados perguntou por que ele levava 5000 libras em dinheiro no bolso da cala. "Porque sou rico", respondeu em ingls inseguro. 
     As roupas e o visual dos jogadores de futebol costumam ter efeitos imediatos no pblico em geral, em diferentes segmentos. Alan Albuquerque, de um dos sales mais caros de So Paulo, o Studio W, conta que quase todos os homens de cabelos cacheados copiam o estilo de Alexandre Pato, um de seus doze clientes futebolistas. "Pato faz mscara de creme e usa leave-in para controlar o frizz e o volume", explica. Influenciado pelo estilo italiano clssico, cheio de trique-trique, Pato usa ternos justinhos, abotoaduras, cachecis e at coletes. Torcedores e colegas do Corinthians estranham a sofisticao. "O pessoal faz zoeira", diverte-se o jogador. "Eles penduram minhas boinas e camisas no meio do vestirio e perguntam: 'De quem sero essas coisas?'." Quando foi para a Itlia, ele sofria bullying inverso: "Para sair, eu usava tnis com meia branca at o meio da canela, Eles diziam que esse costume era tpico de brasileiro". Alm de melhorar o guarda-roupa, Pato aprendeu a cuidar da pele: usa creme  noite, faz depilao no peito e na barriga e d uma acertada nas sobrancelhas, "no meio e um pouquinho nas laterais". 
     Disso nenhum colega pode reclamar. O hbito outrora metrossexual impera no futebol. As sobrancelhas do portugus Cristiano Ronaldo so to perfeitamente desenhadas que mais parecem pintura. Famosamente vaidoso, o bronzeado atacante do Real Madrid tem uma linha de roupas em Portugal. Um modesto conselho: shorts rosa-choque bem curtinhos s combinam com fsico de boneco Ken, como o dele. Imitadssimo por meninos de todas as classes, Neymar tambm est entrando no ramo das roupas, com um modelo de cala de gancho bem baixo. "Ele posou para o nosso catlogo fazendo cara de bravo, de alegre, de sedutor. Tem pinta de modelo", elogia o scio no empreendimento, Jos Eduardo Nahas Filho. No Brs, centro de comrcio popular de So Paulo, as calas so um sucesso. Desde que foi para o Barcelona, Neymar no faz mais o tratamento a laser que controlava suas espinhas nem frequenta o barbeiro responsvel por sua cabeleira mutante. "Toda sexta-feira, eu raspava a lateral da cabea dele e, s vezes, fazia a sobrancelha com navalha", diz Cosme Salles. Ao menos as pernas devem permanecer iguais: Neymar gostou de usar a gilete para deix-las bem lisinhas. 


7. CINCIAS  HAMBRGUER DE PROVETA
A carne artificial, desenvolvida em laboratrio com clulas-tronco bovinas,  submetida ao teste dos gourmets: no  ruim, s um pouco seca.

     Trs pessoas tiveram a oportunidade de saborear, na semana passada, em Londres, a mais nova inveno no terreno dos alimentos: o hambrguer de proveta. A iguaria, da qual, por enquanto, se produziu apenas um exemplar, foi cultivada em laboratrio a partir de clulas-tronco de msculos de vaca. A criao  do cientista holands Mark Post, chefe do departamento de fisiologia da Universidade de Maasiricht, na Holanda. O objetivo da experincia , no futuro, popularizar o produto. A vantagem da produo em laboratrio seria causar menor impacto ambiental que a carne bovina convencional. Produzir um hambrguer de 200 gramas com carne bovina libera tanto gs de efeito estufa quanto dirigir um automvel por 16 quilmetros. Para cada quilo de carne que chega ao aougue so gastos 15.000 litros de gua. Essa quantidade leva em conta no s a gua consumida pelo animal at o ponto de abate, mas tambm aquela usada na produo rao ou capim e nas fases de fabricao, transporte e embalagem da carne processada. 
     O primeiro hambrguer obtido in vitro foi degustado pelo crtico gastronmico Josh Schonwald, autor do livro The Taste of Tomorrow (O Sabor do Amanh), pela cientista austraca especialista em alimentos Hanni Rtzler e pelo prprio Mark Post. Schonwald opinou: "A textura lembra a de um hambrguer convencional, mas o  sabor  semelhante ao de um bolo com protena animal". Rtzler concordou que a carne estava ressecada e que lhe faltava sabor. Post reconhece a necessidade de aprofundar as pesquisas e atribuiu o gosto insosso  ausncia de gordura, retirada durante o processo de crescimento e multiplicao das clulas-tronco. O objetivo da demonstrao, afinal, era atrair ateno e investimentos para sua rea de estudo. 
     Estima-se que o consumo mundial de carne se eleve 40% nas prximas duas dcadas, por causa do aumento populacional e do maior acesso  renda em muitos pases. Em maro deste ano, a consultoria Boston Consulting Group concluiu uma pesquisa sobre o impacto  da expanso da classe mdia na China e na ndia no consumo de alimentos. O crescimento da renda nesses pases est alterando hbitos de alimentao. Chineses e indianos esto comendo mais e substituindo a ingesto de gros pela de carne. At 2050 a humanidade precisa se preparar para alimentar 9,6 bilhes de pessoas. O hambrguer artificial pode ajudar a satisfazer essa demanda com menos danos ambientais. Diz o ecologista e economista Srgio Besserman Vianna, professor da Pontifcia Universidade Catlica, no Rio de Janeiro: "Suprir as necessidades de tantas pessoas s ser possvel com o auxlio da cincia e da tecnologia. A carne vermelha ficar cada vez mais cara, porque sua produo  pouco eficiente. A pecuria exige quantidades enormes de terra, gua e alimento para se desenvolver. No futuro  bastante provvel que fique invivel". A pesquisadora Hanna Tuomisto, do Joint Research Centre, ligado  Comisso Europeia, ressalta os benefcios da carne artificial  sade: "Com ela, ser possvel dosar as quantidades de gordura e controlar com mais facilidade as doenas transmitidas por animais". 
     Por enquanto, fazer hambrgueres em laboratrio, em larga escala, no  vivel, pelo preo. Seguindo o procedimento desenvolvido por Mark Post, estima-se que 1 quilo de hambrguer custasse em torno de 60 dlares. Ao longo dos dois anos que levou para ser concluda, a experincia de Post consumiu o equivalente a 740.000 reais, custeados por Sergey Brin, um dos fundadores do Google. Brin declarou sentir-se incomodado com o modo como o gado  abatido e que o bife de laboratrio pode "mudar a forma como os consumidores encaram o mundo". Ainda que a carne financiada pelo Google passe em todos os testes dos rgos responsveis por controlar a qualidade dos alimentos, encontr-la nas gndolas dos supermercados levar pelo menos mais dez anos.


8. ANIMAIS  LULU POP STAR
Na mquina da fama da internet, cachorros fofos tambm viram celebridade: tm pgina nas redes sociais, ganham roupa e so o orgulho da "me".
ALVARO LEME

     Aparecer em algum vdeo ou programa muito visto e ter um nmero expressivo de seguidores nas redes sociais  receita certa para a conquista da fama. E, tendo chegado l, a celebridade adquire o direito a mimos e exigncias,  ou no ? Sissi, por exemplo: a cama em que dorme, em um amplo apartamento nos Jardins, rea nobre de So Paulo,  toda decorada com cristais. Ou ento Clara: se est entediada, entra num Porsche Carrera e sai para passear pelas ruas do Leblon, no Rio de Janeiro. Seria at normal, dadas as circunstncias, no fossem Sissi e Clara cachorrinhas  fofssimas,  verdade, mas cachorrinhas. A incentiv-las (e banc-las) no mundo das extravagncias esto suas donas, ou mes, como preferem, senhoras sem filhos que fazem questo de apregoar as faanhas de seus rebentos caninos com orgulho bem maternal. "Optei por no ter filhos. Elas preenchem a minha necessidade de oferecer carinho. E s me do alegria", derrete-se a ex-modelo Luciana Pittigliani, 33 anos, dona das maltesas Clara, 4 anos, e Ibiza, 8, que em julho apareceram em um programa do canal de TV a cabo History Channel. Tema: como transformar um cachorro abandonado em um cachorro de madame. 
     Dos exemplos citados, a mais famosa  a tambm maltesa Sissi, provectos 14 anos, a cadelinha pop star da tambm muito conhecida decoradora paulista Brunete Fraccaroli. "Faz tempo que deixei de ser a dona da minha casa. A Sissi  quem dita as ordens aqui", diz Brunete, que catapultou sua maltesa  fama ao exibi-la em episdios de um reality show, no ano passado. Sissi (o nome  homenagem  imperatriz austraca) tem Twitter com 18.200 seguidores, ganha pilhas de roupas e acessrios enviados por grifes especializadas e  requisitada para fotos em revistas. H dois anos provou seu primeiro pedao de pizza. "Nunca mais quis rao, s comida de gente", suspira a dona. Uma cozinheira prepara e congela potinhos de frango com batata, peixe ou arroz com carne moda, cardpio variado porque ela no gosta de comer a mesma coisa no almoo e no jantar. gua, s filtrada, em tigela de vidro e recm-servida  Sissi no suporta beber restos. "Ela tem certeza de que  uma pessoa", afirma Brunete. A pop star dos Jardins nunca foi de passear na rua. As estrelas do Leblon Clara e Ibiza at passeiam, mas acomodadas em um carrinho do tipo usado para bebs. No mais das vezes, desculpe, saem mesmo  de Porsche. As cachorrinhas no tm pginas prprias nas redes sociais, mas esto muitssimo bem representadas nas da "me", que fala nelas como se fossem humanas. Exemplo: "A minha mais nova  agitada. S para quieta quando ponho um vdeo da Galinha Pintadinha para ela ver no iPad". 
     J a pug Prada, com apenas 1 ano e meio, tem, sim, seu cantinho prprio no Instagram, onde conta com 6500 seguidores. Ela  "filha" da blogueira de moda F Sena, 20 anos, de Fortaleza. E, cada vez que aparece no perfil da me, seguido por 188.000 admiradores, o acesso aumenta. "As fotos dela bombam mais que as minhas", admite a dona. O guarda-roupa de Prada  excepcional: muitas vezes, quando uma grife presenteia F com alguma roupa, faz outra igual para a cadela ("Filha de blogueira tambm se d bem", brinca a moa). Prada tem um quarto s seu, decorado com borboletas na parede, e adora enfeites  sejam as bijuterias da dona, seja sua prpria gargantilha de prolas verdadeiras. "Ela faz tanto sucesso por causa da expressividade do olhar", acredita F. O lulu-da-pomernia Kenzo tambm tem 1 ano e meio e tambm est no Instagram, onde conta com 3500 seguidores  e subindo. O salto de Kenzo para a fama aconteceu quando, num intervalo entre namoros, a apresentadora Sabrina Sato o citou como seu "novo amor"; Sabrina  amiga da sua dona, Hel Rocha, estilista e herdeira de uma rede de lojas. Mas antes disso ele j tinha aparecido em colunas sociais e sido destaque como "dog tendncia" em uma revista de moda. O lulu acompanha a dona a toda parte: com ela j esteve em um spa e viaja em classe executiva, sempre acomodado em uma maleta Louis Vuitton (a mesma marca de sua coleira), para temporadas em Nova York, onde mora o namorado de Hel. "Definitivamente, meu cachorro no veio ao mundo a passeio", acredita ela. Hel revela que a escolha de um lulu-da-pomernia no foi por acaso   f declarada de outro lulu, o americano Boo, detentor do ttulo de "cachorro mais fofo da internet" e pioneiro na matilha de webcelebridades. Aos 7 anos, Boo  personagem de trs livros e ganhou uma verso de pelcia. Seu Instagram tem 58.500 seguidores e sua pgina no Facebook, 7,2 milhes. Definitivamente, um exemplo a ser seguido.


